As anotações apreendidas pela Polícia Federal na agenda de Eduardo Sales Sá Barreto Leitão, filho do prefeito de Fortaleza Evandro Leitão, citavam supostos contratos das secretarias municipais da Educação, Saúde, Sepog e AMC, somando cerca de R$ 34 milhões. O material foi encontrado em julho de 2025 no apartamento funcional do deputado federal Júnior Mano, durante investigação sobre compra de votos, desvio de verbas, fraudes em licitações e financiamento ilícito de campanha. Segundo a PF, o grupo seria liderado pelo prefeito cassado e foragido Bebeto Queiroz e por Júnior Mano.
O Portal da Transparência da Prefeitura de Fortaleza aponta contratos que podem corresponder às anotações, incluindo um da Secretaria de Educação com a empresa NTSEC Soluções em Telecomunicações para serviços de firewall e antimalware, além de outro contrato da Sepog que, juntos, ultrapassam R$ 18 milhões.
O relatório da PF também cita Evandro Leitão e seu filho em diversas ocasiões. Segundo a investigação, Bebeto teria buscado apoio de Evandro junto às forças de segurança do Ceará para evitar ações policiais em municípios onde o grupo atuava.
Na Câmara Municipal de Fortaleza, o vereador Marcelo Mendes iniciou coleta de assinaturas para abertura de uma CPI a fim de investigar as citações envolvendo Evandro e Eduardo Leitão. Já na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Queiroz Filho questionou a demora na prisão de Bebeto Queiroz e cobrou esclarecimentos sobre possíveis vínculos políticos com o grupo investigado.
Outro ponto citado na agenda envolve um contrato de videomonitoramento da Prefeitura de Fortaleza com a empresa IPQ Tecnologia, no valor de R$ 25 milhões, alvo de questionamentos do senador Eduardo Girão. A empresa também possui contratos com o Governo do Ceará, incluindo um acordo de R$ 300 milhões que recebeu recomendação de nulidade pelo Tribunal de Contas do Estado por suspeitas de direcionamento e restrição à concorrência.