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PF aponta artistas investigados por lavagem bilionária como beneficiários do auxílio emergencial
Por Agostinho Alcântara
Publicado em 30/04/2026 21:49 • Atualizado 30/04/2026 22:58
Policial

Uma investigação conduzida pela Polícia Federal do Brasil sobre um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, associado ao tráfico de drogas e a apostas ilegais — com movimentações estimadas em mais de R$ 1,6 bilhão — revelou um elemento adicional que agrava o caso: nomes ligados ao meio artístico, citados na apuração, aparecem como beneficiários do auxílio emergencial durante a pandemia. A informação foi divulgada pelo jornalista Cláudio Humberto, em sua coluna no Diário do Poder. Entre os mencionados estão MC Ryan SP e MC Poze do Rodo. No caso de Ryan, apontado como possível líder do grupo investigado, há registros de recebimento do benefício entre abril de 2020 e outubro de 2021, somando R$ 5.250. O intervalo coincide com o crescimento de sua carreira musical, levantando dúvidas sobre o enquadramento nos critérios do programa. Não há informação sobre devolução dos valores. Já MC Poze do Rodo recebeu dez parcelas entre julho e setembro de 2020, com valores variando de R$ 150 a R$ 600. Parte do montante — cerca de R$ 3,3 mil — foi devolvida, mas quatro parcelas ainda não têm comprovação de ressarcimento. Naquele período, o artista já figurava entre os nomes de destaque no cenário nacional, com músicas amplamente executadas, o que também suscita questionamentos quanto à elegibilidade. O episódio evidencia fragilidades nos mecanismos de concessão do auxílio emergencial, criado para atender milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade durante a crise sanitária. A presença de beneficiários com renda relevante ou em ascensão financeira aponta possíveis falhas no cruzamento de dados e na fiscalização. A investigação também alcançou o responsável pelo perfil “Choquei”, conhecido por sua atuação nas redes sociais e por interações com figuras públicas, incluindo a primeira-dama Janja Lula da Silva. A inclusão desse nome amplia o alcance do caso e reforça a dimensão do esquema sob análise. No âmbito institucional, o caso reacende um problema recorrente: programas emergenciais de grande escala, especialmente em contextos de urgência, tendem a apresentar brechas para irregularidades. As consequências vão além do prejuízo financeiro, afetando também a credibilidade de políticas públicas voltadas à população mais vulnerável.

 

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