Policiais penais do Ceará intensificaram a mobilização e podem suspender a realização de horas extras no sistema prisional do estado a partir de abril. A decisão foi tomada em assembleia da categoria, realizada durante acampamento em frente ao Palácio da Abolição, sede do governo estadual.
De acordo com o Sindicato dos Policiais Penais do Ceará, a categoria estabeleceu o prazo até o dia 1º de abril para que o Governo encaminhe à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará propostas que atendam às principais reivindicações. Caso contrário, será iniciada a paralisação das jornadas extras, movimento chamado de “abril sem extra”.
Os policiais estão acampados desde o dia 24 de março, com estrutura de barracas e faixas de protesto, cobrando avanços em duas pautas centrais: a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e a convocação imediata de 834 aprovados no último concurso público.
A entidade sindical alerta que o sistema penitenciário cearense enfrenta déficit de servidores, o que tem levado muitos profissionais a trabalharem voluntariamente em seus dias de folga, por meio de plantões extras remunerados. Sem essas horas adicionais, segundo a categoria, o funcionamento das unidades pode ser impactado.
Além da suspensão das horas extras, os policiais também articulam uma carreata entre o Palácio da Abolição e a Alece, onde pretendem realizar um ato público para reforçar a pressão sobre o governo.
Para a presidente do sindicato, Joélia Silveira, a medida reflete o desgaste nas negociações com a gestão estadual. Segundo ela, diversas tentativas de diálogo foram feitas junto a diferentes órgãos do governo, mas até o momento não houve apresentação concreta de propostas.
O impasse aumenta a tensão entre a categoria e o Executivo estadual, enquanto cresce a expectativa por uma solução que evite impactos mais severos no sistema prisional do Ceará.