oradores de Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, enfrentaram uma situação inusitada neste sábado (31 de outubro): uma longa fila se formou na Praça da Matriz para comprar água destinada ao consumo doméstico.
Inicialmente, muitos moradores imaginaram que a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), empresa pública responsável pelo abastecimento de água, estivesse distribuindo garrafões gratuitamente. Entretanto, ao chegarem ao local, eram informados de que cada unidade estava sendo comercializada por R$ 6,00.
O valor cobrado pela estatal chamou a atenção e provocou questionamentos entre os consumidores. Afinal, por que a Cagece estaria vendendo água por R$ 6,00, valor R$ 1,00 superior ao praticado anteriormente pelos comerciantes da cidade?
A indignação popular ganha ainda mais força diante das circunstâncias. Os comerciantes, além dos custos normais de suas atividades, ainda estariam submetidos à extorsão de integrantes de uma facção criminosa, que exigiam pagamentos semanais para permitir o funcionamento dos estabelecimentos.
A pergunta que muitos moradores fazem é: se os comerciantes precisavam suportar até mesmo essa cobrança criminosa, como a empresa estatal, que não estaria sujeita a esse tipo de extorsão, chega a praticar um preço mais elevado?
Comerciantes eram vítimas de extorsão
De acordo com as informações divulgadas, três suspeitos de integrar o Comando Vermelho (CV) foram capturados pela Polícia. Eles são apontados como responsáveis por extorquir proprietários de revendas de água, exigindo o pagamento de R$ 750,00 por semana de cada estabelecimento.
Após as ameaças, os comerciantes fecharam suas lojas, comprometendo a comercialização de um produto essencial para a população.
Apesar das prisões, o clima de insegurança permanece entre os moradores. Banabuiú possui pouco mais de 17 mil habitantes, dos quais aproximadamente 8 mil vivem na zona urbana.
Venda de água exige escolta policial
Diante da situação, foi necessária a presença de escolta policial para garantir a comercialização dos garrafões na praça pública, proporcionando segurança aos trabalhadores e consumidores.
Enquanto isso, equipes da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará continuam trabalhando para localizar e prender o suposto líder do grupo criminoso que atua na região.
O episódio evidencia os impactos da atuação de organizações criminosas na vida cotidiana da população, chegando a comprometer até mesmo a comercialização de um produto essencial, como a água.
Além da preocupação com a segurança, fica uma cobrança legítima dos consumidores: qual a justificativa para a Cagece cobrar mais caro do que os comerciantes que, até então, enfrentavam inclusive a pressão financeira imposta pelos criminosos?
Fonte: TV SERTÃO - Alex Pimentel