O Chile viveu um período de forte turbulência institucional no Judiciário. Em pouco mais de um ano, três ministros da Suprema Corte foram destituídos por meio de acusações constitucionais, mecanismo previsto no sistema chileno para responsabilizar altas autoridades.
Os casos envolveram Ángela Vivanco, Sergio Muñoz e Diego Simpertigue, atingidos por processos relacionados a questões como negligência, falta de probidade, parcialidade e conflitos envolvendo processos judiciais de grande repercussão. )
A primeira grande crise ocorreu com Ángela Vivanco, afastada em outubro de 2024 em meio às repercussões do chamado “Caso Audios”, que envolveu o advogado Luis Hermosilla. Sergio Muñoz também foi alvo de acusação constitucional e acabou deixando a Corte. (CIPER Chile)
Em dezembro de 2025, o Senado chileno aprovou a acusação contra Diego Simpertigue, tornando-o o terceiro integrante da Suprema Corte a ser destituído nesse período. Além da perda do cargo, ele ficou impedido de exercer funções públicas por cinco anos. )
O episódio chama atenção porque demonstra que, no Chile, ministros da mais alta Corte não estão imunes a mecanismos de responsabilização política e constitucional. Ao mesmo tempo, o volume de acusações levantou um debate sobre os limites e o eventual uso político desse instrumento.
O Congresso chileno chegou a discutir mudanças para tornar mais rigorosos os requisitos das acusações constitucionais, diante da preocupação com a utilização excessiva do mecanismo. )
A sequência de afastamentos colocou em evidência uma questão que ultrapassa os nomes dos magistrados: até que ponto uma democracia deve permitir que integrantes de sua mais alta Corte sejam responsabilizados e removidos quando existem suspeitas de quebra de deveres funcionais?
O caso chileno tornou-se, assim, um exemplo relevante no debate latino-americano sobre responsabilização, independência judicial e limites do poder dos tribunais superiores.
Ángela Vivanco, ex-ministra da Suprema Corte do Chile, foi destituída em 2024 e, posteriormente, passou a ser investigada por suspeitas de corrupção, cohecho e lavagem de ativos. Em janeiro de 2026, foi presa e colocada em prisão preventiva, tornando-se a primeira ex-integrante da Suprema chilena a chegar a essa situação.
Em junho de 2026, após mais de cinco meses presa, a Justiça chilena revogou a prisão preventiva e determinou arresto domiciliar total.