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EM CONSTRUÇÃO
O avanço da direita na América Latina chega ao Brasil
Corrupção, violência e desrespeito aos valores sociais é que vem causando a mudança
Por Agostinho Alcântara
Publicado em 10/10/2026 08:45
Politica

 

A América Latina vive uma reconfiguração política impulsionada pela insatisfação com a violência, a corrupção, as crises econômicas e o enfraquecimento de valores tradicionais. Em vários países, candidatos de direita e centro-direita conquistaram espaço ao defender segurança pública, liberdade, responsabilidade na gestão do Estado, combate ao crime e respeito às instituições democráticas.

Entre os principais fatores desse avanço está o desgaste de governos e partidos de esquerda envolvidos em denúncias de corrupção, favorecimento político e uso indevido de recursos públicos. Quando administrações que prometem justiça social e defesa dos mais pobres são associadas a escândalos e impunidade, cresce a frustração popular e a busca por alternativas.

A direita também tem se apresentado como uma força de resistência à violência e às ameaças autoritárias. Suas bandeiras incluem o combate firme ao crime organizado, a proteção das famílias, a defesa da liberdade e a rejeição de qualquer forma de ditadura, seja de esquerda ou de direita. Em sociedades marcadas por insegurança, muitos eleitores passaram a apoiar líderes que prometem restaurar a ordem e garantir o direito de viver com tranquilidade.

Outro ponto central é a defesa da família e de seus valores, entendidos por esses movimentos como fundamentos da sociedade. A valorização da responsabilidade, da educação, da solidariedade, da fé e do respeito entre as gerações aparece associada à preservação da identidade cultural e nacional. Nesse contexto, o patriotismo é apresentado como compromisso com o país, com sua história, seus símbolos e o bem comum, e não como hostilidade a outras nações.

Vitórias e avanços eleitorais na Argentina, no Equador, em El Salvador, no Chile, na Bolívia e em outros países refletem esse desejo de mudança. Embora cada caso tenha características próprias, há um elemento comum: a rejeição a governos percebidos como ineficientes, corruptos ou incapazes de controlar a violência.

O crescimento da direita, porém, também traz responsabilidades. Seus governos precisam combater a corrupção com transparência, fortalecer instituições independentes, respeitar as garantias democráticas e apresentar resultados concretos na economia, na segurança e nos serviços públicos.

O recado das urnas é claro: quando a população se sente ameaçada pela violência, decepcionada com a corrupção, preocupada com a destruição de valores familiares ou cansada de promessas não cumpridas, aumenta a disposição para apoiar projetos que defendam ordem, liberdade, patriotismo, responsabilidade e proteção da família. Na América Latina, essas bandeiras têm contribuído para redesenhar o mapa político do continente, que é o que está a se observar também no Brasil, onde todo o país elegeu Jair Bolsonaro e 2018 e agora votou em seu filho no primeiro turno, com excessão do Nordeste, que é a região mais pobre e violenta do país. 

 

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