Daniel Vorcaro (banqueiro)
Dono do Banco Master, teve o celular apreendido pela PF — fonte de dois relatórios. Financiou praticamente sozinho o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres (abril/2024), gastando milhões para bancar autoridades: a conta do Hotel The Peninsula chegou a 850 mil libras (cerca de R$ 6 milhões) e só a degustação de uísque Macallan custou R$ 3,3 milhões (para 22 convidados, ~R$ 145 mil por cabeça). Esforçava-se para esconder o Master como financiador — pediu para tirar o banco da lista de convidados, exigiu evitar "a qq custo" a exposição e mandou a fatura para o Grupo Voto e depois para a Moriah Asset, empresa do cunhado Fabiano Zettel.
Dias Toffoli (ministro do STF)
Relator do caso Master, tomou, desde o fim de 2025, decisões que dificultaram as investigações sobre o banco — enquanto mantinha vínculos até então desconhecidos com Vorcaro. A PF cruzou dezessete ligações entre os dois e identificou doze encontros (Brasília, São Paulo e Londres). O resort Tayayá é chamado por Faria de "a fazenda de Toffoli". O ministro nega amizade ou intimidade com o banqueiro e afirma que o relatório foi arquivado com trânsito em julgado.
Alexandre de Moraes (ministro do STF)
Participou da organização do evento de Londres: sugeriu convidados, feu convites pessoalmente e aprovou o cronograma. Sua lista incluía de Gilmar Mendes e Flávio Dino a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. Também esteve na degustação de Macallan. Foi alvo do relatório de agosto, que desencadeou crise no STF.
André Mendonça (ministro do STF)
Relator do caso, requisitou de ofício o relatório sobre Moraes (prazo de 72 horas), decretou siglo grau 4 e o retirou quatro dias depois — 33 dias antes do primeiro turno da eleição e menos de cinco horas após a piauí revelar que Flávio Bolsonaro mentiu sobre os pagamentos de Vorcaro à cinebiografia de Jair Bolsonaro. Sobre o relatório de fevereiro (Toffoli), não determinou diligência equivalente.
Fábio Faria e Márcio Chaer (intermediários)
Faria serviu como ponte entre Vorcaro e Moraes (até os dois se falarem direto) e também com Toffoli. Chaer, sócio do ConJur, confirmou que Moraes "realmente mandou WhatsApp para os colegas" e repassou o convite oficial.
A linha de investigação central
Os dois relatórios usam os mesmos delegados, a mesma fonte (o celular de Vorcaro, mesmo IMEI) e a mesma metodologia — mas mudam o foco: o de fevereiro constrói um caso contra a imparcialidade de Toffoli; o de agosto praticamente abandona essa linha e passa a mirar Moraes. Mesmo diálogos aparecem nos dois documentos com interpretações opostas.