Mais de um ano depois, continua grande a repercussão das declarações feitas pelo desembargador Raimundo Nonato Silva Santos, então presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), ao revelar situações que, segundo seu próprio relato, demonstravam a fragilidade da presença do Estado em municípios do interior.
A declaração aconteceu em 21 de março de 2025, durante o 2º Congresso Regional Eleitoral do Cariri, em Juazeiro do Norte. Na ocasião, o desembargador fez um alerta contundente sobre a segurança pública, o avanço das facções criminosas e a ausência de autoridades em algumas cidades.
Ao falar sobre Santa Quitéria, Raimundo Nonato disparou:
“Você chega em cidade com o porte de Santa Quitéria, o delegado dá plantão por telefone, à distância. Onde é que existe isso, meu Deus do Céu?”
A afirmação provocou questionamentos justamente por partir de um integrante da cúpula do Judiciário cearense.
O desembargador também relatou uma situação que teria presenciado durante uma eleição em Alto Santo. Segundo ele, ao procurar pelo delegado, recebeu a informação de que a autoridade não estava fisicamente no município.
“Cadê o delegado? Não tem delegado. Ele fica à distância.”
E não parou por aí.
Ao mencionar Orós, Raimundo Nonato afirmou ter se deparado com uma situação ainda mais preocupante: segundo seu relato, não havia delegado, promotor ou juiz no município.
Foi então que fez uma pergunta que permanece ecoando mais de um ano depois:
“O Estado marginal agradece. Será que não vamos parar para pensar nisso?”
“O ESTADO LEGAL FOI ENGOLIDO PELO ESTADO MARGINAL”
As declarações faziam parte de um alerta maior sobre o avanço das organizações criminosas no Ceará.
Em determinado momento, o desembargador resumiu sua preocupação em uma frase de enorme impacto:
“O Estado legal foi engolido pelo Estado marginal.”
A declaração ganhou repercussão e chegou inclusive ao Senado Federal, onde foi mencionada pelo senador Eduardo Girão poucos dias depois.
MAIS DE UM ANO DEPOIS, A PERGUNTA CONTINUA
O episódio aconteceu em 2025, mas continua sendo lembrado pela gravidade das afirmações e pela autoridade de quem as fez.
Afinal, se um desembargador, ocupando naquele momento a presidência do TRE-CE, questionava publicamente a ausência de autoridades policiais e judiciais em municípios do interior, o que mudou desde então?
A denúncia não é recente. O alerta, porém, continua atual.