A pressa de Sebastião para conhecer o mundo não teve jeito. Ele nasceu em apenas meia hora, no estacionamento de um prédio, com o próprio pai como parteiro. O professor Bruno Carvalho, de 38 anos, fez o parto do filho na última terça-feira (21), por volta das 4h40, no bairro José Bonifácio, em Fortaleza.
"Estou processando tudo ainda. Só consigo sentir uma gratidão imensa a Deus. Acho que nunca mais vou passar por uma experiência igual a essa", disse Bruno ao Diário do Nordeste.
A mãe, Mayara Bezerra, de 34 anos, definiu a reação como "puro instinto" diante do susto e da coragem que o momento exigiu. O casal já tem dois filhos: José, nascido em janeiro de 2023, e Antônio, que chegou em outubro de 2024.
As duas gestações anteriores deram a Mayara algo que nenhum livro ensina: a intuição e o conhecimento do próprio corpo. Ela reconhecia cada fase do trabalho de parto, desde os primeiros desconfortos até as contrações finais. Só não esperava que desta vez tudo acontecesse tão depressa.
"O bebê vai nascer agora"
Mayara acordou às 4h10 sentindo que Sebastião estava a caminho. Bruno e ela pegaram a bolsa já pronta, vestiram a primeira roupa que encontraram e entraram no elevador.
Antes de chegarem ao térreo, veio uma contração forte. "Senti ele se encaixar, o corpo girar e descer. No estacionamento, veio outra contração e percebi que ele ia 'coroar'", contou a mãe, referindo-se ao momento em que a cabeça do bebê já está prestes a aparecer.
Bruno ainda tentou colocar Mayara no carro. O hospital ficava a cinco minutos dali, na Avenida Heráclito Graça, pronto para atender os dois. Quando perguntou se ela conseguiria esperar, veio a resposta: "o bebê vai nascer aqui".
Orientações por videochamada
Desesperado, Bruno ligou em vídeo para a obstetra que acompanhou os outros partos de Mayara. Pela tela do celular, ela deu as instruções: manter a mãe confortável, colocá-la no chão e arrumar um pano para receber o recém-nascido.
"Quando ela disse 'não vai dar tempo, ele vai nascer aqui', eu olhei e falei: 'não é possível, são cinco minutos até o hospital'. Mas ela se ajoelhou, segurou no poste e teve outra contração."
Bruno Carvalho — Pai de Sebastião
A avó de Sebastião, mãe de Mayara, também estava em casa e desceu no outro elevador para ficar com a filha no estacionamento. Sem conseguir encontrar um pano na mochila do bebê, Bruno tirou a própria camisa para receber a criança.
"Meu marido disse: 'pode ficar tranquila que eu seguro ele'. Confiei muito nele, sabia que cuidaria do nosso filho, mas fiquei com medo por saber que ele não nasceria no hospital", contou Mayara.
Com a avó acariciando suas costas e Bruno com a camisa estendida nas mãos, veio a última contração. "Já estou me emocionando. Não consigo explicar em palavras. Só tenho gratidão por ter as pessoas certas, no momento certo. Quem estava ali era porque tinha que estar", disse.
Sebastião foi colocado no colo da mãe ainda com o cordão umbilical. Às 4h45, a família saiu do estacionamento rumo ao hospital.
O bebê segue internado para exames e acompanhamento, mas deve receber alta nos próximos dias para conhecer os dois irmãos em casa