MPF-MG Processa Globo em R$ 10 Milhões por Pronúncia da Palavra "Recorde"
O
Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF-MG) protocolou, em fevereiro de 2026, uma
ação civil pública contra a
TV Globo, questionando a forma como a emissora pronuncia a palavra
"recorde" em sua programação jornalística e esportiva. A ação, movida pelo procurador da República
Cléber Eustáquio Neves, pede uma indenização de
R$ 10 milhões por danos morais coletivos e lesão ao patrimônio imaterial da língua portuguesa.
O centro da polêmica: Prosódia
O MPF argumenta que a emissora utiliza reiteradamente a pronúncia proparoxítona ("récorde"), influenciada pelo termo em inglês record. Segundo a norma culta da língua portuguesa e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), a palavra é paroxítona: recorde (re-COR-de), sem acento gráfico.
Argumentos e pedidos da ação
Para o procurador, a Globo, como uma concessionária de serviço público com alcance nacional, tem o dever de zelar pela finalidade educativa e informativa da comunicação, evitando a propagação de erros de prosódia.
Os principais pedidos da ação incluem:
- Indenização: Pagamento de R$ 10 milhões.
- Retratação: Que a emissora realize uma correção oficial em rede nacional, ensinando a pronúncia correta.
- Liminar: Pedido de urgência para que a correção na fala dos apresentadores seja imediata.
Repercussão e Críticas
O caso gerou intensos debates sobre os limites da atuação do Ministério Público e a evolução da língua. Jornalistas como
Adriana Araújo criticaram publicamente a medida. Paralelamente, surgiram questionamentos sobre os vencimentos do procurador autor da ação, que, segundo levantamentos da
coluna de Tácio Lorran no Metrópoles, teria recebido cerca de R$ 970 mil em rendimentos brutos ao longo de 2025.
A Rede Globo informou que não comenta processos judiciais em andamento. O caso segue em tramitação na Justiça Federal.