A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em conjunto com suas 34 federações e sindicatos filiados, deu início neste fim de semana — dias 29 e 30 de agosto — a uma mobilização em âmbito nacional para solicitar que a proposta de alteração da jornada de trabalho e de extinção da escala 6x1 não seja submetida à votação antes do período eleitoral.
Sob o lema "A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não", a entidade defende que uma modificação constitucional de tamanha envergadura demanda estudo técnico aprofundado, diálogo e avaliação dos reflexos sobre empresas, trabalhadores e consumidores. A CNC aponta como motivos de apreensão os juros elevados, o crédito caro, o endividamento das famílias, a inadimplência das empresas, o desinvestimento e a saída de companhias estrangeiras do território nacional.
Segundo a CNC, mais de 90% da força de trabalho do setor atua no regime 6x1, o que tornaria uma eventual alteração brusca capaz de gerar impactos significativos nos custos operacionais. A confederação alerta que isso poderia resultar em repasse de preços, redução de vagas e avanço da informalidade, sobretudo entre micro e pequenas empresas.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, ressalta que o setor não é contrário ao debate sobre o bemestar dos trabalhadores, mas defende que as mudanças sejam tratadas com responsabilidade e, preferencialmente, por intermédio de negociações e convenções coletivas, respeitando as especificidades de cada setor e região.
A campanha, portanto, não solicita o fim da discussão sobre a escala 6x1, mas sim que uma decisão dessa magnitude não seja adotada de maneira apressada às vésperas do processo eleitoral.