O caso da exoneração do juiz substituto Robson José dos Santos, em Rondônia, apresenta novos desdobramentos após a divulgação de registros em vídeo obtidos pela coluna da jornalista Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles. Nas gravações, o magistrado argumenta ter sido alvo de discriminação racial ao longo do procedimento administrativo que culminou no seu desligamento.
Robson, cuja história de vida — de vendedor ambulante no Recife até o ingresso na magistratura — é amplamente conhecida, defende que sua cor de pele pesou mais do que suas ações no julgamento. Durante sua manifestação no Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), ele declarou que o processo focava em sua identidade como homem negro, e não apenas em sua atuação técnica.
O ex-juiz ressaltou que, apesar de possuir três décadas de serviço público sem históricos de punição, passou a ser tratado de forma extremamente rigorosa ao chegar no estado. Ele também questionou a variedade de acusações e estereótipos acumulados em diferentes comarcas, alegando que as versões contraditórias sobre seu comportamento dificultaram o exercício de sua defesa.
Antes de atuar em Rondônia, Robson José dos Santos acumulou experiência em diversas frentes: foi bombeiro, guarda municipal, policial civil e analista judiciário. Ele também destacou ter trabalhado por 15 anos como assessor de magistrados no Tribunal de Justiça de Pernambuco, mantendo uma conduta disciplinar ilibada nesse intervalo.
Contudo, o TJRO manteve a decisão pela demissão, sustentando que a medida não foi motivada por um fato pontual, mas sim por uma série de comportamentos considerados inadequados para o exercício da função.