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Ex-deputado preso por suspeita de negociar fuga de detentos disse que Geddel receberia R$ 1 milhão, afirma ex-diretora em delação
Por Agostinho Alcântara
Publicado em 20/04/2026 21:42
Policial

 

 

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, do MDB, aparece entre os nomes mencionados na delação premiada da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres. Ela firmou acordo de colaboração com o Ministério Público da Bahia, no qual descreveu como teria contribuído para a fuga de 16 detentos da unidade prisional em dezembro de 2024.

Segundo informações do documento, obtido por veículos de imprensa, a negociação teria sido intermediada pelo ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB). O suposto acordo previa o pagamento de R$ 2 milhões para viabilizar a fuga de dois líderes criminosos, sendo que, conforme o relato da delatora, parte do valor — cerca de metade — seria destinada a Geddel. Na época, Uldurico ainda integrava o MDB, partido em que o ex-ministro é uma figura de destaque no estado.

Geddel, que não figura como investigado no caso, negou qualquer participação. Em entrevista, afirmou que seu nome teria sido utilizado indevidamente para dar credibilidade à negociação. Segundo ele, as apurações policiais indicam outras pessoas como destinatárias dos valores, sem qualquer menção à sua participação.

Ainda de acordo com a delação, Uldurico se referia ao ex-ministro como “chefe” e teria encaminhado mensagens atribuídas a ele, cobrando o repasse do dinheiro.

O ex-ministro reagiu com indignação ao ser citado, destacando não conhecer a ex-diretora e negar qualquer vínculo com ela. Ele também afirmou ter sido surpreendido pelas declarações e criticou duramente o ex-aliado político, classificando sua conduta como irresponsável.

 

Por sua vez, Uldurico também rejeitou as acusações. Em nota, sua defesa sustentou que as declarações presentes na delação não correspondem à verdade e teriam como objetivo afastar a responsabilidade da autora do acordo. Os advogados afirmaram ainda que ele não tinha conhecimento de qualquer plano de fuga, tampouco recebeu valores, e que está colaborando com a Justiça para o esclarecimento dos fatos.

 

Joneuma disse ao MP-BA que facilitou a fuga dos detentos a pedido de Uldurico. O político foi preso na quinta-feira (16) em meio às investigações do órgão.

Já Joneuma ficou presa por mais de um ano, mas deixou o presídio há um mês para cumprir prisão domiciliar. Na delação, registrada em 9 de fevereiro deste ano, ela detalhou a participação dos envolvidos no esquema da fuga.

A ex-diretora relatou que os internos do núcleo principal da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) já ficavam na mesma cela, e que os detentos Ednaldo Pereira Souza, o Dada, apontado como chefe da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), e Sirlon Risério Dias Silva (Saguin), o subchefe, tinham as chaves da cela em que ficavam.

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