O líder do PSB na Câmara, deputado Jonas Donizette (SP), elevou o tom ao denunciar o que considera um movimento de traição em curso contra o vice-presidente Geraldo Alckmin. Segundo ele, nem mesmo um aliado desleal mereceria o tratamento que Alckmin estaria recebendo dentro da base governista.
A declaração ocorre em meio a articulações nos bastidores que cogitam a substituição do vice na chapa à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A possibilidade de troca ganhou força nas últimas semanas, especialmente diante de conversas envolvendo o MDB, partido cujo apoio formal é visto por setores do governo como estratégico para 2026.
Donizette afirmou que a eventual retirada de Alckmin representaria um erro político grave e poderia gerar um problema para o presidente. Para o parlamentar, o vice tem mantido postura leal e colaborativa, participando ativamente da gestão e contribuindo para a estabilidade da coalizão. Ainda assim, estaria sendo colocado em segundo plano por alas que defendem uma recomposição da chapa com vistas à ampliação do arco de alianças.
O debate veio à tona após reunião da Executiva do PT, realizada em São Paulo, na qual o tema foi discutido de forma aberta, revelando divergências internas. Parte dos dirigentes argumenta que a substituição só se justificaria em caso de um acordo político robusto que garantisse a entrada formal do MDB na coligação. Outros, porém, avaliam que a movimentação pode soar como ingratidão e fragilizar a confiança entre aliados.
Nos bastidores, a leitura é de que Alckmin, que foi peça-chave na formação da frente ampla que levou Lula de volta ao Planalto, estaria agora no centro de um rompimento de compromissos assumidos em 2022.
A fala do líder do PSB explicita o incômodo crescente com o que já é visto por integrantes da base como uma traição anunciada.